As aventuras de Lorita (parte 3)

Lorita tem estatura mediana, é morena e tem um sorriso cativante. Seu bom humor e sua alegria de viver são contagiantes. Embora seja formada em letras, descobriu a pouco sua paixão por escrever.

Determinada, resolveu deixar o país para estudar francês, porém o que poucos sabem é que o verdadeiro motivo de sua viajem foi fugir. Não, ela não é perigosa nem aprontou nada grave. O problema foi que ela se apaixonou.

Sua ‘história de amor’ começou de forma tão inesperada quanto terminou. Para ela, sobraram as lembranças, muito, mas muito carinho e várias dúvidas.

 Porque ele se foi? O que eu fiz de errado?

Por incrível que pareça, aquela menina forte, sempre alegre e ativa que eu tão bem conhecia acabou se mostrando tão frágil quanto uma daquelas flores dente-de-leão, que a menor brisa é capaz de carregá-la para onde quiser.

Embora tivesse um roteiro pronto em sua cabeça com as coisas que gostaria de perguntar e falar para seu amado, ela nunca teve a chance de conversar. Por acabar se sentindo prisioneira em si mesma, refém de seus próprios sentimentos, o sorriso de Lorita já não era mais o mesmo, a alegria dela já parecia não ser a mesma.

A única solução que ela encontrou foi fugir. Mas sabe aquele ditado que diz ‘você pode fugir, mas os problemas te acompanham’? Foi exatamente o que aconteceu! Quando ela me escreveu dizendo que em Paris ela havia encontrado a luz no fim do túnel, percebi que minha amiga já estava melhorando, e muito graças a Arthur.

A caminho do tão esperado encontro com o misterioso amigo virtual, Lorita não conseguia parar de pensar no passado, em tudo que ela viveu e estava tentando esquecer.

Me sinto em um cinema, com um filme passando no telão. O filme mostra o tempo que nós ficávamos admirando o pôr-do-sol, fazendo pedido para a primeira estrela, tomando sorvete e trocando bilhetinhos. Isso ainda me faz sorrir. Eu já sei como essa história termina, mas como mera expectadora, ainda tenho esperança que desta vez alguma coisa mude, ele resolva ficar ou, ao menos, me explicar por que.

Como se fosse um cutucão da ‘vida real’, Lorita acabou tropeçando em uma pedra e acordando do sonho. Era hora de voltar para a realidade e ir ao encontro daquele que conseguiu começar a juntar os cacos daquele coração roto.

Não tenho intenções amorosas com Arthur, ele se tornou um grande companheiro, alguém que talvez por eu não conhecer, consegui falar todos os meus problemas e aflições. Sim, ele sabe os reais motivos de minha vinda à cidade luz.

Uma resposta para “As aventuras de Lorita (parte 3)”

  1. Ricky D'bergh diz:

    Muitas vezes agimos como Lorita, fugindo de sentimentos!
    O texto está simplesmente fantástico!
    me lembra o livro Onze Minutos de Paulo Coelho, que amei muito!

    :-)
    Beijos


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